25/10/2019

A vida do médico tem mais valor do que a da enfermagem e da população?

  O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivela ao

 

O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivela ao lado da secretária de Saúde, Ana Beatriz Bucsh estão elaborando uma solução risível, mas com consequências trágicas, para suprir a carência de médicos nas unidades de saúde do município localizadas em áreas de risco. Pretendem criar o “teleatendimento médico” nas unidades da rede básica, clínicas da família, situadas em áreas de altos índices de violência.

A razão? Por não conseguirem manter médicos nestes postos de trabalho. Assim, o médico faria a consulta de sua casa ou consultório, sem riscos de ser baleado, atendendo ao paciente pela câmera, via monitor de um computador. O absurdo já foi repudiado em nota pelo CREMERJ que condenou a estratégia, uma vez que a medicina on line jamais substituiria a presença física do profissional junto ao paciente.

Legalmente, sabemos que o prefeito não poderá ir adiante com essa pretensão. Porém, o Coren-RJ enxerga na atitude do alcaide e da sua secretária algo absurdamente contrário à conduta correta de quem prometeu “cuidar das pessoas”, e aponta objetivamente o real pensamento/sentimento de ambos: médicos pertencem à uma casta elevada e devem ser protegidos; as outras categorias que dão expediente nas unidades de saúde em áreas violentas são à prova de bala. Isto se chama menos valia, ou seja, a vida do médico tem mais valor do que a dos outros profissionais, incluindo a enfermagem. Menos valor ainda tem a população que ali habita; totalmente desprovida de direitos básicos e alvo eterno de exclusão social, racismo e classismo. E, se depender do Crivella, só vai se consultar com médico pelo computador, uma vez que para estes excluídos, só restaria esta opção…

Crivella foi textual numa entrevista coletiva realizada hoje no Palácio da Cidade. Diz o alcaide, segundo matéria do Jornal Extra: “Claro que nesses locais (áreas de risco) temos dificuldades em colocar médicos, mas ainda assim determinei que se faça o atendimento remoto. Ou seja, vão estar um técnico, um enfermeiro e o paciente diante da tela, e do outro lado aquele médico que não pôde ir em razão da violência para ajudar o paciente de alguma forma no momento de angústia. Tanto eu quanto a Bia (a secretária de Saúde) não queremos que faltem médicos nas clínicas da família” anunciou Crivella.

Já a enfermagem…Não vem ao caso? À categoria da enfermagem, pedimos atenção extrema, para que limite-se às suas atribuições para não incorrerem em irregularidade como exercício irregular da medicina, por causa desta cruel e estapafúrdia ideia. Protejam-se.

Mais do que repudiar, o Coren-RJ não admitirá ter a categoria da qual regula tratada como sub humana, depreciada profissionalmente, vista como seres descartáveis.

Através do nosso Departamento Jurídico, tomaremos providências.




  • BannerLateral_codigo_etica
  • e-dimensionamento-207x117