03/09/2020

Cofen e Coren-RJ repudiam salários anunciados em edital para hospitais federais no Rio de Janeiro

  As autarquias prometem tomar providências contra a discriminação salarial
 

As autarquias prometem tomar providências contra a discriminação salarial discrepante, que paga aos médicos salários maiores do que o triplo dos vencimentos dos enfermeiros e somente R$ 2 mil aos técnicos.

A presidente do Conselho Regional de Enfermagem do Rio de Janeiro, Ana Lúcia Telles, aponta como abusiva e imoral a desigualdade proposta no edital do Ministério da Saúde para contratação temporária das unidades federais no Rio de Janeiro.
– Trata-se de um insulto! Com o agravante de que os médicos trabalharão 24h semanais, enquanto a enfermagem vai encarar a jornada de 40 horas, em afrontoso flagrante de discriminação profissional a membros fundamentais na equipe multidisciplinar de saúde.

Ana Lúcia ressaltou ainda que a enfermagem está diuturnamente no beira leito da assistência, se expondo minuto a minuto à toda sorte de riscos, não somente de contaminação por coronavírus, mas de ordem emocional e de sua integridade física.

– E isso acontece em pleno Ano Mundial da Enfermagem! Agradecemos aos aplausos, mas exigimos equidade, respeito e lembramos que não somos de ferro!”, desabafou a presidente, que apoiará as ações do Cofen junto ao Ministério da Saúde, no sentido de ajustar o edital em favor da enfermagem e contra a imoral desproporcionalidade dos salários.

No Rio de Janeiro, o Processo Seletivo Simplificado se destina a preencher até 4.117 vagas em caráter temporário de no máximo de 06 (seis) meses, improrrogáveis. As unidades federais são: Hospital Federal do Andaraí, Hospital Federal do Bonsucesso, Hospital Federal Cardoso
Fontes, Hospital Federal de Ipanema, Hospital Federal da Lagoa, Hospital Federal dos Servidores do Estado, Instituto Nacional de Cardiologia, Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia e Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva.

Cofen irá ao MS

O Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) recebeu com indignação a previsão de salários para técnicos de Enfermagem e enfermeiros a serem contratados, em caráter temporário, no Rio de Janeiro. “Buscaremos um diálogo com o Ministério da Saúde, para a revisão dos termos propostos, sem descartar eventual recurso a outros mecanismos para mudança no edital”, afirma o presidente do Cofen, Manoel Neri.

Os valores anunciados desvalorizam os profissionais, que assumirão postos na linha de frente durante a pandemia de covid-19, arriscando suas próprias vidas em prol da Saúde da população. Representam, também, um ataque à isonomia, com previsão de salários extremamente desiguais para profissionais de Saúde graduados. O salário previsto para enfermeiros, profissão que exige nível superior, com carga horária mínima de 4 mil horas integralizadas ao longo de cinco anos, é mais de três vezes inferior ao salários previsto para médicos.

O Sistema Cofen/Conselhos Regionais apoia a criação de um Piso Salarial nacional para profissionais de Enfermagem. Diversos Conselhos Regionais estabeleceram parâmetros para “piso salarial ético”. As recomendações regionais não são uma imposição salarial – pauta referente aos sindicatos profissionais da área – mas uma sugestão para que os trabalhadores possam obter, junto aos sindicatos, melhores negociações em acordos coletivos e uma valorização da profissão.

“Buscaremos um diálogo para a revisão dos termos propostos, sem descartar eventual recurso a outros mecanismos para mudança no edital”, afirma o presidente Manoel Neri.

Acesse o edital em anexo
 
Ascom Cofen/Coren-RJ



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